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20120709

“Basta um olhar sensível”

De acordo com o Conselho Nacional dos Direitos 

da Criança e do Adolescente, Conanda, cerca de 
6,5 milhões de crianças sofrem algum tipo de 
violência doméstica no país e necessitam do olhar 
atento de seus professores.
Foto: Rômulo Prestes
João tem oito anos de idade e está no terceiro ano do ensino fundamental. Ele sempre foi um aluno dedicado, um bom amigo e demonstrava muito respeito por sua professora. No entanto, em algumas semanas isso mudou. Ele passou a agir de maneira agressiva com seus colegas e de forma violenta com a professora. Além disso, não tirava seu casaco, mesmo que a temperatura estivesse bem quente. Essa situação é apenas ilustrativa, mas mostra características de uma criança que sofreu agressão. De acordo com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e
do Adolescente, Conanda, cerca de 6,5 milhões de crianças sofrem algum tipo de violência doméstica no país. Por isso, o professor deve aprender a lidar com esses casos, entender o que acontece com seus alunos e estar disposto a ajudá-los.

Segundo a pedagoga Fabíola Engelmann, pós-graduanda em Psicopedagogia, as peculiaridades apresentadas pelo personagem acima são comuns em crianças que sofrem violência, mas não são as únicas. “A criança também pode se inibir e tentar esconder o que passou. Isso dependerá das características pessoais dela”, explica. Por causa disso, é necessário que o professor esteja atento ao comportamento manifestado pelo estudante e conquiste a confiança dele.

Caso o professor perceba que em sua classe há uma vítima de violência infantil, ele deve apresentar o caso à coordenação pedagógica. “A autoridade na sala de aula é o professor, mas ele não é a autoridade da escola. Assim, é importante levar o assunto aos responsáveis pelo ambiente escolar”, aconselha a advogada Lia Gonsalves. De acordo com a pedagoga Fabíola, esse é o caminho mais adequado, pois os coordenadores possuem contato com a família do aluno, enquanto o professor convive somente com a criança.

Após a situação ser analisada pelas autoridades escolares, Lia afirma que a coordenação deve consultar órgãos competentes como o Conselho Tutelar ou a Vara da Infância e da Juventude. “É possível fazer uma visita apenas consultiva. Lá, você contará o que tem acontecido e, se eles entenderem que o fato deve ser investigado, farão a denúncia”. Ao utilizar essas ferramentas de orientação, “você não assumirá ou fará um juízo de valor equivocado”, salienta.

Previna!

No entanto, ainda que a escola e as autoridades competentes lutem para controlar a situação,Fabíola está convicta de que o melhor caminho é prevenir a violência infantil. “O professor precisa trazer o assunto à sala de aula e, dessa maneira, dar mais liberdade para que o aluno converse a respeito dos problemas que enfrenta”.

Para colocar isso em prática, a pedagoga aproveita os recursos da disciplina que leciona: Língua Portuguesa. Ela leva para a sala de aula artigos que expliquem o assunto e ainda incentiva a produção textual a respeito da violência psicológica. “Tenho percebido a importância de tratar a respeito do bullying e estou trabalhando com meus alunos do 6º e do 7º ano a necessidade de conviver com a diferença. Queremos até escrever um livro de crônicas a respeito do tema”, conta.

Vale ressaltar que o método utilizado varia de acordo com a idade da criança. “Para a educação infantil, eu não posso falar de maneira aberta a respeito de preconceito racial, por exemplo, pois talvez eles nem tenham isso”, explica a professora. Entretanto, ela afirma que o professor deve abordar com cautela os assuntos que já estejam presentes na realidade dos pequenos. Para isso, “é necessário identificar quais são esses assuntos por meio de um olhar sensível e de auxílio, que o professor nunca pode perder”, conclui.

(Raquel Derevecki)

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